O texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo "uma nova ordem de relações humanas", como definiu São João XXIII. A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1).
"Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja", afirmou Leão XIV.
"É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possÃvel permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se."
A ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz
Os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, "sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência". Nesse sentido, acrescentou o PontÃfice, a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspetiva, a Gaudium et spes recorda o «dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4).
Esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo. Como exemplo, o Papa citou o progresso cientÃfico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionamente distribuÃdas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoÃsta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz.
A Igreja é chamada a servir o ser humano
Assim, concluiu Leão XIV, numa época de profundas mudanças, "das quais decorrem desequilÃbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)".
"Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as caracterÃsticas distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo."
Por:Bianca Fraccalvieri |
Fonte:Â Vatican News |
02/09/2026 |
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